Publicado por: falmeida222 | Abril 24, 2009

A Figura “esquecida”do 25 Abril Salgueiro Maia

A Figura “esquecida”do 25 Abril

Salgueiro Maia

Nota do autor: Um povo  onde nascem homens como o Salgueiro Maia, homens que lutam por um ideal sem desejarem honras, riquezas ou protagonismos, é um povo que pode acreditar. O nosso obrigado a esse herói esquecido e que este povo lhe guarde a memória daquilo que foi e fez e, não deixe que a história dos Senhores glorifique aqueles que depois vieram colher os cravos e o relegaram para o esquecimento de um papel secundário num rodapé de um livro escolar.

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Salgueiro Maia

Fernando José Salgueiro Maia (Castelo de Vide, 1 de Julho de 1944 — Santarém, 4 de Abril de 1992), militar português!

Nasceu em Castelo de Vide, no dia 1 de Julho de 1944. Muito novo, fica órfão de mãe. Faz os estudos primários em São Torcato, Coruche, e os secundários no Colégio Nun’Álvares de Tomar e no Liceu Nacional de Leiria.

Placa de homenagem a Salgueiro Maia, no local onde se dirigiu aos sitiados no Quartel do Carmo - Largo do Carmo, Lisboa

Placa de homenagem a Salgueiro Maia, no local onde se dirigiu aos sitiados no Quartel do Carmo - Largo do Carmo, Lisboa

Em Outubro de 1964, ingressa na Academia Militar, em Lisboa e, dois anos depois, apresenta-se na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, para frequentar o tirocínio.

«Filho de uma família de ferroviários, é a situação de guerra nas colónias que me permite o acesso à Academia Militar, pois o conflito fez perder as vocações habituais, e assim a instituição foi obrigada a abrir as suas portas», diz-nos ele em «Capitão de Abril».

Em 1968 é integrado na 9ª Companhia de Comandos, e parte para o Norte de Moçambique, em plena Guerra Colonial, cuja participação lhe valeu a promoção a Capitão, já em 1970. A Julho do ano seguinte, embarca para a Guiné, só regressando a Portugal em 1973, onde seria colocado na EPC.

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Por esta altura iniciam-se as reuniões clandestinas do Movimento das Forças Armadas e, Salgueiro Maia, como Delegado de Cavalaria, integra a Comissão Coordenadora do Movimento. Depois do 16 de Março de 1974 e do «Levantamento das Caldas», foi Salgueiro Maia, a 25 de Abril desse ano, quem comandou a coluna de carros de combate que, vinda de Santarém, montou cerco aos ministérios do Terreiro do Paço forçando, já no final da tarde, a rendição de Marcello Caetano, no Quartel do Carmo, que entregou a pasta do governo a António de Spínola. Salgueiro Maia escoltou Marcello Caetano ao avião que o transportaria para o exílio no Brasil.

Excerto do filme “Capitães de Abril” de Maria de Medeiros, onde é retratado um dos momentos mais arriscados e delicados  do 25 de Abril! Quando Salgueiro Maia e o posto de comando ainda estão a suspirar de alívio por ter passado a ameaça da Gago Coutinho, surgem cinco carros de combate M/47 de Cavalaria 7 seguidos de atiradores do Regimento de Infantaria 1, da Amadora, e alguns soldados da PM de Lanceiros 2. Um brigadeiro comanda a coluna. Salgueiro Maia, de braços erguidos, agitando um lenço branco, tenta o diálogo, mas o brigadeiro não aceita encontrar-se com ele a meio caminho. Dá ordem a um alferes que abra fogo. O jovem não obedece. Irado, o brigadeiro, repete a ordem directamente aos apontadores dos carros e aos atiradores de infantaria. Salgueiro Maia está a descoberto debaixo da mira das torres dos blindados e das espingardas dos atiradores. Nem as tripulações dos carros nem os outros soldados obedecem. Dando vozes de prisão a torto e a direito, disparando para o ar, o brigadeiro salta do carro e desaparece. Toda a coluna fica sob as ordens do capitão Maia. Digno de um homem de enorme coragem, com capacidades únicas, enlevadas por  uma forma serena e firme de dialogar muito característica de Salgueiro Maia!

 

 

Frases e momentos para a História

Madrugada de 25 de Abril de 74, parada da Escola Prática de Cavalaria, em Santarém:

“Há diversas modalidades de Estado: os estados socialistas, os estados corporativos e o estado a que isto chegou! Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos. De maneira que quem quiser, vem comigo para Lisboa e acabamos com isto. Quem é voluntário sai e forma. Quem não quiser vir não é obrigado e fica aqui.”

Todos os 240 homens que ouviram estas palavras, formaram de imediato à sua frente.Depois seguíram para Lisboa e marcharam sobre a ditadura.

 

E DEPOIS O ADEUS…

Naquele dia do princípio de Abril de 1992, no cemitério de Castelo de Vide, quatro presidentes da República (António de Spínola, Costa Gomes, Ramalho Eanes e Mário Soares), vêem descer à terra num modesto caixão o corpo de um dos homens que mais contribuiu para que tivessem podido ascender à mais alta magistratura da Nação. No dia 4, Fernando Salgueiro Maia fora vencido pela doença. «O gajo ganhou», dissera ele a um oficial da EPC, referindo-se ao cancro quando se convenceu do carácter terminal da sua doença.

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Obrigado Salgueiro Maia!

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Responses

  1. No nosso coração jamais morrerás. Obrigado Salgueiro Maia. Pena é que os teus ideais nao tenham sido seguidos, isto está a chegar outra vez ao caos. O grave é que nos falta hoje Homens como tu.

  2. É de lamentar o desaparecimento de um HOMEM (Militar) como foi Salgueiro Maia.Homem de Abril, de facto distinto. Nos tempos que correm faz-nos, a nós povo, muita falta homens como Salgueiro Maia. Seria de certa forma excelente, dispormos de militares desta craveira, para combater-mos os corruptos parasitários deste pais. VIVA SALGUEIRO MAIA 25 DE ABRIL SEMPRE.


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