Publicado por: falmeida222 | Setembro 16, 2009

Os 50 autores mais influentes do século XX e o que aprendemos, ou devíamos ter aprendido com eles! Parte IV- Marcel Proust

Proust

Embora tenha escrito outras obras, inclusive no campo da não-ficção (ensaio, crítica, crónicas, pastiches), Proust será sempre lembrado como o autor de um projecto literário de escala gigantesca: Em Busca do Tempo Perdido, romance com mais de três mil páginas, dividido em sete volumes (editados há uns anos pela Relógio d’Água, em tradução de Pedro Tamen).

Partindo do conceito de “memória involuntária”, acesa por uma espécie de interruptor (a madalena molhada no chá), Proust conduz o seu alter-ego através de um prodigioso labirinto de reminiscências, num tour de force narrativo que lhe ocupou os últimos 13 anos de vida, passados em reclusão no seu apartamento forrado a cortiça do Boulevard Haussmann.

No momento da morte, aos 51 anos, ainda não tinha revisto as provas dos últimos três volumes, publicados postumamente, mas a sua reputação já estava firmada. Graham Greene, por exemplo, considerava-o o “maior romancista do século XX”.

O que nos ensinou: o tempo que já passou pesa muito mais do que o que está para vir!

Biografia

Romancista e crítico francês, nasceu a 10 de Julho de 1871 em Auteuil, perto de Paris, e morreu a 18 de Novembro de 1922, na capital francesa. Era uma criança débil e asmática mas também com uma inteligência e uma sensibilidade precoces.

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Até aos 35 anos movimentou-se nos círculos da sociedade parisiense. Depois da morte dos pais isolou-se no seu apartamento de Paris, onde se entregou profundamente à composição da obra-prima, A la recherche du temps perdu (Em Busca do tempo Perdido, 1914-27). Este imenso romance autobiográfico consta de sete volumes em que expressa as suas memórias através dos caminhos do subconsciente, e é também uma preciosa reflexão da vida em França nos finais do século XIX.

A obra é como a sua vida: o reencontro de duas épocas, a tradição clássica e a modernidade. Proust é considerado o precursor do romance contemporâneo. Marcel Proust licenciou-se em Direito (1893) e Literatura (1895). Durante os anos de estudo foi influenciado pelos filósofos Henri Bergson, seu tio, e Paul Desjardins e pelo historiador Albert Sorel. Em 1896 publicou les Plaisirs et les jours uma colecção de versos e contos de grande valor e profundidade, muitos dos quais saíram nas revistas le Banquet e la Revue Blanche. A revista le Banquet (1892) foi fundada pelo próprio Marcel Proust em conjunto com amigos. É nesta altura que publica os seus primeiros trabalhos literários e biografias de pintores.

Faz traduções de Ruskin, ensaia o relato romanesco da sua trajectória espiritual compondo Jean Santeuil, obra que fará silenciar por lhe parecer apressada e demasiado próxima do seu diário. A morte do pai (1903), da mãe (1905) e de um grande amigo, empurraram-no para a solidão, mas permanece financeiramente independente e livre para escrever.

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Através da reflexão que desenvolve obra Contre Sainte-Beuve, composta em 1907, aproxima-se já do grande livro A la recherche du temps perdu. Em 1909 priva-se de toda a vida social e quase de toda a espécie de comunicação.

Em 1912 foram publicados no jornal “le Figaro” os primeiros extractos da obra. Proust cria um trabalho grandioso, escrito na primeira pessoa. Excepção na narrativa, Un Amour de Swann é a história de uma época. O mundo exterior e o mundo interior são originalmente identificados. Viajando no tempo, problematiza a modernidade e a existência maquinal a que ela nos condenou. É um trabalho realizado no reencontro de uma vida perdida e que se prolonga, por outro lado, numa metafísica sugerida, como é o caso do episódio da chávena de chá em que Proust nos quer transmitir que a realidade autêntica vive no nosso inconsciente e só uma viagem involuntária pela memória nos leva ao contacto com ela.

A la recherche du temps perdu é uma história alegórica da sua vida, de onde são retirados os acontecimentos e os lugares. O autor projecta a sua própria homossexualidade nas personagens considerando-a, bem como a vaidade, o snobismo e a crueldade, o maior símbolo do pecado original. Proust é considerado precursor da nova crítica e fundador da crítica temática. Publicou ainda em 1919 Pastiches et mélanges.

Citações famosas

“As pessoas querem aprender a nadar e ter um pé no chão ao mesmo tempo.”

“A maioria dos homens gasta a melhor parte da vida a tornar a outra miserável.”

“O artista que troca uma hora de trabalho por uma hora de conversa com um amigo sabe que está a sacrificar uma realidade a algo que não existe!”

“A sabedoria não nos é dada. É preciso descobri-la por nós mesmos, depois de uma viagem que ninguém nos pode poupar ou fazer por nós!”


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